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SAÚDE

Brasil registra quase 1 milhão de cesáreas e ultrapassa índice recomendado pela OMS

Em Mato Grosso, foram contabilizados 25.538 partos cesarianos, número superior aos 12.505 partos normais realizados no estado.

03/03/2026 13h21
Por: Redação

O Brasil registrou 960.755 partos cesarianos e 606.949 partos normais em 2025, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As cesáreas representam 61,2% a mais do que os partos vaginais, mantendo o índice nacional bem acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera adequadas taxas entre 10% e 15%.

No Centro-Oeste, foram registrados 94.239 partos cesarianos, contra 47.995 partos normais, praticamente o dobro. Na região, Goiás se destaca com 40.029 cesáreas e 18.903 partos normais.

Em Mato Grosso, foram contabilizados 25.538 partos cesarianos, número superior aos 12.505 partos normais realizados no estado. Mato Grosso do Sul também apresenta predominância de partos cesarianos. Foram 17.220, frente a 8.355 partos normais.

O painel de monitoramento de nascidos vivos do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) mostra que a predominância das cesarianas ocorre em todas as regiões do país. O Sudeste concentra o maior volume absoluto de cesáreas: 366.510 cirurgias, frente a 227.336 partos normais. Estados como São Paulo e Minas Gerais lideram em números totais. Confira abaixo:

Brasil registra 960.755 cesáreas; veja ranking por estado

Dados mostram predominância de partos cirúrgicos em todas as regiões.

Nascidos vivos por tipo de parto
Estado Cesáreas Partos normais
SP 195.994 118.506
MG 86.501 57.511
RJ 65.373 41.126
PR 59.162 32.603
BA 58.259 48.642
RS 49.605 24.704
CE 46.574 21.232
PA 43.055 28.583
GO 40.029 18.903
PE 38.192 32.320
SC 36.347 27.698
MA 34.655 22.247
MT 25.538 12.505
PB 21.902 10.774
AM 20.132 22.112
ES 18.642 10.193
AL 17.828 12.832
PI 17.194 9.096
MS 17.220 8.355
RN 16.711 7.099
DF 11.452 9.042
RO 10.772 4.131
TO 9.443 5.754
SE 8.599 9.335
AC 4.750 4.019
AP 3.657 4.116
RR 3.169 4.321

Fonte: Anvisa

Na região Norte, embora o volume seja menor em termos absolutos, a diferença percentual segue o mesmo padrão: mais cirurgias do que partos naturais.

Bioética e direito à informação

Especialistas apontam que as taxas elevadas resultam de um conjunto de fatores estruturais, culturais e organizacionais do sistema de saúde. Entre eles estão a organização da assistência obstétrica, questões logísticas hospitalares, preferências médicas e também escolhas das próprias gestantes.

Quando se fala em escolha do tipo de parto, o debate envolve princípios da bioética. A gestante tem direito a receber informações claras, atualizadas e baseadas em evidências científicas para decidir em conjunto com a equipe médica, considerando riscos, benefícios e, principalmente, a segurança do bebê e da mãe. A cesariana é uma cirurgia e, como qualquer procedimento cirúrgico, envolve riscos que precisam ser ponderados.

Ainda segundo especialistas, o objetivo da assistência ao parto deve ser sempre garantir o melhor desfecho possível, evitando intervenções desnecessárias. Também é fundamental assegurar que todas as mulheres tenham acesso às mesmas informações e a um atendimento seguro, seja pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou na rede privada.

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