Em Mato Grosso do Sul, o endividamento atingiu níveis recordes em 2025: mais de 1,2 milhão de pessoas, equivalente a 58% da população adulta, estavam com o nome inscrito em cadastros de inadimplentes. Somadas, essas pessoas acumulam quase R$ 10 bilhões em dívidas, segundo levantamento da Serasa.
O estudo aponta que o Estado registrou 127,7 mil novas negativação ao longo do ano, uma média de 505 por dia útil. Em dezembro, especificamente, 1.257.626 sul-mato-grossenses estavam com o nome sujo, concentrando 5,69 milhões de débitos.
As dívidas com bancos e cartões de crédito representam o maior volume, com 27,36% do total, seguidas por financeiras (18,14%), contas de energia e telefonia (16,17%) e serviços diversos (14,95%). Outros segmentos, como varejo, telecom, cooperativas e securitizadoras, completam o restante das dívidas no Estado.
A capital, Campo Grande, concentra o maior número de inadimplentes, com 490.438 pessoas acumulando 2,54 milhões de dívidas, totalizando R$ 4,44 bilhões — o equivalente a R$ 9 mil por consumidor negativado. Em Dourados, 105.540 moradores somam R$ 819,3 milhões em débitos, enquanto Três Lagoas e Corumbá registram dívidas médias de R$ 7,2 mil e R$ 6,9 mil, respectivamente.
Segundo especialistas, o aumento da inadimplência está ligado à perda de poder de compra e ao uso do crédito como extensão da renda, comportamento intensificado desde a pandemia. “Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência”, explica o economista Eugênio Pavão.
O sistema financeiro acessível, aliado à falta de educação financeira, contribui para a escalada das dívidas, alerta o economista Eduardo Matos. “Cartões de crédito e limites de cheque especial se tornam armas nas mãos de consumidores que muitas vezes não conseguem interpretar o crédito como extensão de renda”, afirma.
Os números nacionais também alcançaram recorde: em dezembro de 2025, 81,2 milhões de brasileiros estavam negativados, o maior valor desde o início da série histórica. Apesar disso, 92% dos consumidores dizem estar otimistas e planejando suas finanças para 2026. Entre as principais estratégias estão pagamento de dívidas (34%), redução de gastos (33%) e definição de metas de economia (31%).
Especialistas ressaltam que o planejamento financeiro e a educação financeira são essenciais para reverter a situação. “O ano de 2026 representa uma oportunidade de virada de chave para muitos brasileiros. Com mais organização, é possível transformar expectativas em conquistas concretas e construir uma relação mais saudável com o dinheiro”, conclui Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
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