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Saúde SAÚDE

Campanha pede inclusão de medicamentos para obesidade no SUS

A iniciativa, que ganhou força nesta semana, visa garantir o acesso a terapias farmacológicas para uma parcela da população que enfrenta essa doença crônica. O movimento conta com o apoio de diversas entidades médicas, como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e outras.

04/09/2025 às 15h51
Por: Fabio Alves
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Uma campanha nacional liderada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) busca pressionar o Sistema Único de Saúde (SUS) a incorporar medicamentos para o tratamento da obesidade. A iniciativa, que ganhou força nesta semana, visa garantir o acesso a terapias farmacológicas para uma parcela da população que enfrenta essa doença crônica. O movimento conta com o apoio de diversas entidades médicas, como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e outras.

O objetivo central da campanha é sensibilizar as autoridades e a sociedade para a necessidade de políticas públicas que contemplem o tratamento medicamentoso da obesidade na rede pública. A SBEM destaca que, embora reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica multifatorial, a obesidade permanece como uma das poucas condições de saúde sem tratamento farmacológico oferecido pelo SUS. “Enquanto pacientes com hipertensão, diabetes, asma ou dislipidemia têm acesso gratuito a medicamentos, aqueles que vivem com obesidade permanecem sem qualquer alternativa terapêutica na rede pública”, enfatiza a SBEM.

Atualmente, nenhum medicamento para perda de peso está disponível no SUS, incluindo os agonistas GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Nos últimos cinco anos, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) rejeitou a inclusão de quatro fármacos para o tratamento da obesidade: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida. A campanha busca reverter esse cenário, argumentando que a obesidade impõe um fardo significativo ao sistema de saúde e à sociedade.

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, revelam um panorama preocupante: 31% dos adultos brasileiros são obesos, enquanto 68% estão com sobrepeso. As projeções indicam que, se nenhuma medida for tomada, quase metade da população adulta brasileira (48%) estará obesa até 2044. Além disso, o relatório aponta que mais de 60 mil mortes prematuras no Brasil são atribuíveis ao sobrepeso e à obesidade, devido à sua associação com doenças crônicas não transmissíveis.

A SBEM ressalta ainda o impacto financeiro da obesidade no sistema de saúde. Estimativas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicam que os custos diretos ao SUS com doenças associadas à obesidade podem atingir US$ 1,8 bilhão entre 2021 e 2030. As perdas indiretas, como anos de vida produtiva, podem chegar a US$ 20 bilhões, segundo o estudo, evidenciando a urgência de se investir em prevenção e tratamento da obesidade.

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