A Petrobras anunciou reajuste médio de 6% para o diesel vendido em suas refinarias a partir de quinta-feira (02), em momento em que registra uma melhora na demanda, enquanto a gasolina terá elevação de 3%, informou a companhia nesta quarta-feira por meio da assessoria de imprensa.
O movimento é a terceira alta consecutiva no preço do diesel, combustível mais utilizado no Brasil, depois de reajustes de 7% no final de maio e de 8% em meados de junho.
Para a gasolina, é o sétimo aumento seguido, em tendência vista desde o início de maio.
Com os reajustes, o preço médio do litro do diesel nas refinarias da estatal passa a ser de 1,6017 real, maior nível desde o final de março, segundo dados compilados pela Reuters.
Apesar disso, o combustível ainda acumula queda de 31,6% em 2020, após forte impacto na demanda em decorrência da pandemia de coronavírus. Em relação às mínimas do ano, registradas entre final de abril e meados de maio, o valor do combustível tem recuperação de 22,5%.
Para a gasolina, o novo reajuste eleva o preço médio nas refinarias da Petrobras a 1,5788 real/litro, mais alto nível desde o final de fevereiro. A cotação segue se afastando das mínimas do ano, vistas no fim de abril --quando o litro chegou a valer 0,916 real--, embora ainda acumule queda de 17,6% no ano.
As recentes altas nos preços dos combustíveis acompanham uma recuperação no valor do petróleo no mercado internacional. O barril do petróleo Brent, que chegou a ser negociado a cerca de 16 dólares em abril, avançou mais de 150% desde então e já custa mais de 40 dólares, após uma recuperação na demanda e um acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados para redução de oferta.
A Petrobras defende que sua política de preços segue a paridade de importação, levando em conta o valor de referência internacional da commodity e os custos para importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.
Nesse sentido, o real apresenta forte desvalorização frente ao dólar neste ano, o que também contribui para o aumento nos preços dos combustíveis. No semestre terminado na terça-feira, a divisa norte-americana acumulou salto de 35,56% ante a moeda brasileira.
O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, disse à Reuters que o reajuste anunciado pela Petrobras "ajuda, mas não resolve" a situação dos importadores, que lidam com cotações internas que limitam seus negócios. "As janelas continuam fechadas para importações", ressaltou ele.
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