Lembrança de nome não projeta as 24 cadeiras

A disputa por deputado estadual não funciona como a de governador ou senador. As 24 vagas da Assembleia Legislativa são distribuídas pelo sistema proporcional: primeiro se calcula quantas cadeiras cada partido ou federação conquista, pelas regras de quociente eleitoral e quociente partidário, e só depois os nomes mais votados de cada legenda ocupam as vagas conquistadas.

Por isso um candidato bem lembrado pode não se eleger, se a legenda dele não alcançar o quociente, e um candidato pouco citado pode entrar puxado pela votação do partido. O ranking de nomes mede lembrança individual. Quem define o número de cadeiras é o voto de legenda.

A projeção de cadeiras do instituto não fecha em 24

Junto do ranking de nomes, o Ranking Brasil Inteligência divulgou uma estimativa de quantas vagas cada legenda faria na Assembleia.

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Pela projeção, o PL ficaria com 6 a 8 cadeiras, a federação União Brasil e PP com 5 a 6, as federações PT, PV e PCdoB e PSDB e Cidadania com 3 a 4 cada, Republicanos e Avante com 2 a 3 cada, e o MDB com 1 a 2.

As faixas são largas demais para fechar. Somados os pisos, as sete legendas chegam a 22 cadeiras, duas a menos que as 24 em disputa. Somados os tetos, chegam a 30, seis a mais do que existe. A estimativa indica ordem de grandeza de cada bancada, e não a distribuição final das vagas. O instituto não informou no material divulgado qual método usou para chegar às faixas.

O caso do MDB ilustra a diferença entre as duas medidas. O partido aparece na projeção com 1 a 2 cadeiras, embora nenhum nome ligado a ele tenha chegado a 1% no ranking de lembrança.

Como foi feito o levantamento

O instituto ouviu 2 mil pessoas de 16 anos ou mais em 30 municípios de Mato Grosso do Sul, entre os dias 4 e 9 de setembro. A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números MS-09894/2026 e BR-08288/2026, como exige o art. 33 da Lei 9.504/1997.

É a mesma rodada que mediu a disputa pelo Governo do Estado, na qual Eduardo Riedel (PP) aparece com 48% no cenário estimulado. Outro instituto, o IPEMS, divulgou no mesmo dia a sua pesquisa em MS, na qual Flávio Bolsonaro lidera a disputa presidencial no Estado com 46,36%. São levantamentos distintos, com amostras e margens de erro diferentes, e os números de um não podem ser comparados diretamente com os do outro.

Esta matéria foi produzida a partir dos números divulgados pelo instituto.

Todas as pesquisas eleitorais acompanhadas por A Crítica ficam reunidas em acritica.net/eleicoes. Depois da votação, os levantamentos serão comparados com o resultado oficial das urnas para mostrar quais institutos mais se aproximaram do resultado de 2026.