A escalada de violência em Coxim ganhou um novo capítulo nesta semana. João Lucas Amorim de Oliveira Rodrigues, identificado e preso como o piloto da motocicleta usada na tentativa de homicídio contra Patrick Alan Carvalho Delgado, de 33 anos, no bairro Senhor Divino, não é um desconhecido da população. Ele é a mesma vítima que, semanas atrás, apareceu em vídeos chocantes sendo barbaramente torturado com uma barra de ferro, imagens que viralizaram e acenderam um alerta vermelho sobre a audácia do crime organizado na cidade.
O caso escancara a teia de vingança, rivalidades e atuação de facções criminosas que transformou a rotina do município em um cenário de medo constante.
O atentado contra Patrick ocorreu na manhã de segunda-feira (31). Segundo as investigações conjuntas da Polícia Civil e da Força Tática da Polícia Militar, João Lucas pilotava uma Yamaha Fazer preta e levava na garupa Luiz Antônio da Silva, responsável por efetuar os disparos contra a vítima.
Após o crime, João Lucas deixou Luiz Antônio em uma residência no Jardim Europa. O atirador, então, empreendeu fuga em um Chevrolet Monza azul acompanhado por Maxsuel Amaro Alves e Kassia Andrade. O trio foi interceptado pela Força Tática na BR-359, na altura da "Curva da Rosa". Ao receberem ordem de parada, os ocupantes do Monza reagiram atirando contra a guarnição, que revidou. No confronto, Luiz Antônio, Maxsuel e Kassia foram atingidos e morreram.
Enquanto isso, as equipes de investigação localizaram João Lucas sentado em frente a um mercado na rua 11 de Abril, no bairro Flávio Garcia. Ao ser abordado, ele confessou participação no atentado e revelou detalhes da logística criminosa.
A motocicleta utilizada no ataque pertencia a uma mulher identificada pelas iniciais A.F.O. e foi apreendida na casa de sua mãe, R.F.S. Na delegacia, a proprietária confirmou ter cedido o veículo, mas apresentou versão divergente sobre saber do plano do homicídio. João Lucas e as duas mulheres foram entregues à Delegacia de Polícia Civil de Coxim. A principal suspeita das autoridades é de que todos os envolvidos pertençam a facções criminosas.
O passado em vídeo e a espiral de mortes
A trajetória recente de João Lucas resume a gravidade da crise de segurança pública em Coxim. Antes de se tornar executor, ele foi o alvo de um dos episódios mais bárbaros registrados recentemente na região.
No vídeo que circulou nas redes sociais, João Lucas foi brutalmente agredido na região genital com uma barra de ferro por dois homens: Daniel Braz dos Santos Silva, o "Negro Drama", de 40 anos, e Rafael da Silva Nogueira, de 38 anos. A dupla, que agia à luz do dia expondo o rosto e filmando as próprias atrocidades, vinha aterrorizando os moradores.
A "onda de terror" promovida por Negro Drama e Rafael culminou, dias depois, no assassinato de Almir de Araújo Bernando, de 37 anos, e na tentativa de homicídio contra David Alexandre Morais de Souza, de 36 anos, ambos no bairro Senhor Divino. A carreira criminosa da dupla terminou em confronto armado com a Força Tática no Vale do Taquari, onde ambos acabaram mortos.
Em questão de semanas, a teia de crimes cruzados que envolveu João Lucas, desde a sua tortura até a tentativa de homicídio desta segunda-feira, já deixa um saldo de cinco mortos em confrontos com as forças policiais.
Efetivo no limite e cobrança por respostas
A audácia dos criminosos e a velocidade com que os crimes migraram do submundo para as ruas movimentadas escancaram uma fragilidade institucional alarmante, o esvaziamento do efetivo policial em Coxim.
A 1ª Delegacia de Polícia Civil da cidade opera no limite extremo de sua capacidade. Conforme revelado pelo Edição MS, a unidade conta com poucos investigadores para dividir a escala ao longo de todo o mês. Na prática, isso significa que há apenas um investigador por turno para atender a toda a demanda emergencial e conduzir inquéritos de alta complexidade no município.
A escassez de profissionais compromete a resposta rápida, atrasa diligências e alimenta a sensação de impunidade que encoraja a ação de facções. A população cobra posicionamento urgente e reforço de efetivo por parte da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) antes que a ordem pública colapse definitivamente.
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