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Presidente da Fiems impediu minha entrada, denuncia Camila Jara em encontro com ministro
Camila Jara denunciou vice-presidente da CNI após jantar com ministro Durigan
31/07/2026 22h07
Por: Redação Fonte: Midiamax
Camila Jara teria sido impedida de entrar em jantar a mando de Sérgio Longen, presidente da Fiems investigado pela Polícia Federal. (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados/Fiems)

A deputada federal Camila Jara (PT) denunciou ter sido vítima de violência política de gênero e impedida de participar de um jantar com empresários da indústria sul-mato-grossense na Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, na noite de quinta-feira (30).

O episódio ocorreu após agendas com a comitiva do Governo Federal na Capital. Segundo a parlamentar, ela teria sido barrada por ordem do presidente da entidade, Sérgio Longen, em uma ação que envolveu “uso de força bruta”.

“É assim que eles tratam as mulheres parlamentares. […] Uma instituição sexista, uma instituição machista e que não sabe dialogar com os diversos setores. Passam a roupagem de que são democráticos, mas, na hora da participação, barram quem deveria participar”, disse nas redes sociais logo após o ocorrido.

A conduta da Fiems teria acontecido logo após o encontro empresarial para tratar da reforma tributária, evento promovido pela Fiems que contou com a presença dos ministros Dario Durigan (Fazenda) e George Santoro (Transportes) para debater o cenário econômico e logístico de Mato Grosso do Sul.

Camila Jara relatou que, após a palestra principal, o ministro da Fazenda a convidou pessoalmente para um jantar mais restrito, cujo objetivo era continuar ouvindo as demandas do setor industrial. Ao tentar ingressar no local, a deputada foi impedida.

“Eu não consegui entrar nesse jantar a mando do presidente da Fiems, e eles foram muito enfáticos, usaram até a força bruta para eu não entrar. Eu fui entender por que tava acontecendo isso, se essas conversas estavam sendo produtivas, e eu descobri que era justamente por conta do meu trabalho, onde acontece a violência política de gênero”, disse Camila já nesta sexta-feira (31).

A parlamentar destacou que o desrespeito não se limitou a ela. De acordo com Jara, a senadora Soraya Thronicke e as próprias assessoras do ministro também foram maltratadas durante a agenda.

“Vim falar sobre a violência política que a gente sofre e ontem foi um dia nas agendas acompanhando o ministro lá na Fiems, onde as mulheres foram muito maltratadas. Eu, a senadora Soraya e as assessoras do ministro. Mas são aqueles inconvenientes que, infelizmente, a gente não devia se acostumar, mas se acostuma na política”, relatou.

Retaliação por fiscalização de recursos públicos

Para Camila Jara, a proibição de sua entrada e a “forma violenta como foi tratada” são retaliações diretas à sua atuação na Câmara dos Deputados.

Nas redes, ela relatou que, junto ao deputado federal Vander Loubet (PT), solicitou recentemente explicações à Fiems sobre a gestão de R$ 60 milhões em recursos públicos recebidos pela instituição, que estaria sob suspeita de desvios na gestão de Sérgio Longen.

“Eu fui punida diretamente pelo meu trabalho e de forma violenta. Nesse microespaço de poder, o Sérgio [Longen] achou que podia ser violento e exerceu toda a sua força contra mim”, afirmou a deputada. Ela ressaltou que questionar o destino do dinheiro público é função de seu mandato e não deveria ser motivo para punições.

Por fim, a deputada lamentou que o episódio tenha impedido sua colaboração com o setor, destacando que pretendia usar o espaço de forma construtiva para buscar soluções que impulsionem a indústria e aumentem a renda da população de Mato Grosso do Sul.

“A gente trabalha todos os dias para nenhuma mulher passar por isso e para que a política possa ser exercida com respeito”, concluiu.

O que diz a Fiems?

A reportagem do Jornal Midiamax acionou a Fiems para manifestação e aguarda resposta.