A rotina pacata que historicamente caracterizou Coxim vem dando lugar ao medo e à perplexidade. Em uma única semana, dois vídeos chocantes que circularam nas redes sociais acenderam um alerta vermelho na população. A violência não apenas cresceu, mas agora é praticada à luz do dia, filmada e exposta sem qualquer temor às autoridades.
Enquanto os índices de ocorrências e a brutalidade dos crimes desafiam a ordem pública, a infraestrutura operacional da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Coxim opera no limite extremo. Por trás dessa audácia, surge uma fragilidade institucional alarmante: o esvaziamento do efetivo da Polícia Civil no município.
Esse gargalo estrutural foi trazido à tona em reportagem do Edição MS, que revelou que a 1ª Delegacia opera com apenas quatro investigadores dividindo a escala ao longo do mês. Na realidade prática, isso significa que a delegacia conta com apenas um investigador por turno para atender toda a demanda emergencial da cidade. Esse estrangulamento operacional compromete a capacidade de resposta rápida, atrasa o início de diligências e sobrecarrega os profissionais, criando um gargalo que alimenta a sensação de impunidade no município.
1. Tortura, barbárie e motivação passional
No primeiro caso registrado em vídeo, a crueldade impressionou até os moradores mais antigos. Dois homens espancaram brutalmente uma terceira vítima sob a alegação de um envolvimento amoroso com uma mulher comprometida.
As agressões ultrapassaram qualquer limite de humanidade, pois a vítima teve a região genital agredida com uma barra de ferro. Informações preliminares apontam ainda que a mulher envolvida no caso também teria sido vítima de agressões genitais.
2. Ajuste de contas e violência em plena via pública
Sem tempo para a população assimilar o primeiro choque, um novo episódio tomou as redes no dia seguinte. Na Avenida Mato Grosso do Sul, em pleno dia, um dos envolvidos no primeiro espancamento foi confrontado por um quarto homem armado com um facão.
A troca de agressões no meio da rua, registrada por testemunhas, escancarou o nível de audácia. Os agressores mostram o rosto, não temem o flagrante e agem como se estivessem à margem da lei.
O impacto na população
A percepção de quem vive em Coxim é clara, a criminalidade avançou e perdeu a vergonha. Cenas que antes eram raras ou restritas ao submundo agora acontecem em vias movimentadas e sob o olhar de pedestres.
“A sensação é de que qualquer um pode cometer um crime bárbaro, filmar, expor nas redes e continuar livre, leve e solto pelas ruas de Coxim. Falta braço na polícia para investigar e falta resposta rápida para impor respeito à lei”, relata o morador que encaminhou os vídeos para nossa redação.
Cobrança
A relação entre a falta de estrutura policial e o aumento da audácia criminosa é direta. Quando a segurança pública opera no limite, a prevenção falha e a resposta demorada serve de combustível para a justiça com as próprias mãos e para o sentimento de terra sem lei.
A população de Coxim cobra posicionamento e reforço urgente de efetivo por parte da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) antes que a situação fuja definitivamente do controle.
O Edição MS questionou o delegado regional de Coxim, Fábio da Silva Magalhães, sobre a defasagem no efetivo de investigadores da 1ª Delegacia e as medidas previstas para reforçar a segurança no município. Até a publicação desta reportagem, não obtivemos resposta. O espaço segue aberto para manifestação.