O que começou como uma queixa de crime terminou em prisão em flagrante para um proprietário de veículo de 37 anos, neste final de semana. A Polícia Civil esclareceu que o furto de uma Ford Ranger, reportado inicialmente no município, não passou de uma encenação para tentar fraudar uma seguradora.
O caso foi registrado pelo próprio dono do veículo, que alegou ter tido sua caminhonete furtada. No entanto, o trabalho investigativo da delegacia local logo começou a encontrar fissuras na narrativa.
Através da análise minuciosa de imagens de câmeras de segurança e do cruzamento de dados, os agentes identificaram contradições gritantes no depoimento do suposto lesado. A integração entre as forças de segurança foi o golpe final na tentativa de estelionato.
Enquanto a Polícia Civil montava o quebra-cabeça em São Gabriel, a pRF (Polícia Rodoviária Federal) localizou a Ford Ranger na BR-262, em Corumbá. O veículo era conduzido por dois jovens, de 23 e 24 anos, que seguiam em direção à fronteira.
A abordagem foi o elo que faltava, comprovando que o "furto" havia sido planejado para que o veículo fosse levado para longe (provavelmente para o exterior ou desmanche) enquanto o proprietário acionava indevidamente o seguro para receber a indenização.
Diante das evidências apresentadas pelos investigadores, o proprietário confessou a autoria da fraude. Ele foi preso em flagrante e responderá, em tese, pelos crimes:
Denunciação caluniosa, por mobilizar o aparato estatal e policial relatando um crime que sabia não ter ocorrido.
Estelionato na forma tentada, pela tentativa de obter vantagem ilícita em prejuízo da seguradora.
Os dois jovens flagrados com a caminhonete também foram encaminhados às autoridades para os procedimentos legais cabíveis.
"A rápida integração entre as forças de segurança e o uso de inteligência investigativa foram fundamentais para evitar o prejuízo financeiro e garantir que o sistema de justiça não fosse usado como ferramenta para o crime", afirmou a Polícia Civil em nota.
A Polícia alerta que o "golpe do seguro" é um crime grave que gera prejuízos a toda a sociedade, elevando o custo de apólices e desviando recursos públicos da segurança para investigar ocorrências fictícias.