O bebê Kalebe Josué da Silva, de 1 ano e oito meses, estava morando com a mãe em Campo Grande há cerca de quatro meses, segundo o Conselho Tutelar da Região Norte. A criança morreu na madrugada desta quinta-feira (30), na Santa Casa.
Conforme o boletim de ocorrência, o bebê tinha vários hematomas pelo corpo, além de sinais de que teria sido abusado sexualmente. Assim, foi internado na Santa Casa na terça-feira (28), mas não resistiu e morreu. Segundo o Conselho Tutelar da Região Norte, Kalebe morou e permaneceu sob os cuidados da avó materna até dezembro do ano passado. Entretanto, a genitora teria relatado melhora em sua estabilidade financeira e levado a criança para morar com ela. O bebê tem outros três irmãos, que se encontram sob os cuidados de suas famílias paternas. “O Conselho Tutelar seguirá acompanhando a situação, em articulação com a rede de proteção, a fim de garantir a segurança e os direitos das demais crianças envolvidas”, diz o conselho. Durante abordagem do Conselho Tutelar, a mãe alegou não ter conhecimento dos indícios de maus-tratos cometidos contra o seu filho. Segundo o relato da mulher, o padrasto tratava com carinho, como se fosse seu próprio filho, e jamais cometeria qualquer ato de violência contra a criança. ‘Vi batendo’
Durante interrogatório na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), o padrasto negou ter agredido o enteado, assim como a companheira negou o crime. “É que nem um filho para mim, eu não tenho filho e, desde quando eu casei, eu cuido dele como se fosse meu filho”, falou o rapaz à polícia. Na especializada, o suspeito disse que a companheira estava se arrumando para trabalhar na terça-feira (28), enquanto ele estava deitado, descansando. Logo, a mulher avisou que estava saindo e deixou uma mamadeira com o bebê. De acordo com o interrogatório, o enteado ficou tomando o leite da mamadeira e, por volta de 6h50, o rapaz pegou o bebê para dar banho. Neste momento, Kalebe já havia vomitado, e o padrasto disse ter percebido o corpo mole. “Fui pegar ele e já estava meio mole, eu só liguei a água no corpo dele e já liguei no Samu”, alegou o suspeito. Depois, o rapaz disse ter ligado para a companheira primeiro, que teria respondido que já estava a caminho de casa. Segundo ele, a equipe do Samu pediu que fizesse massagem cardíaca em Kalebe e, logo, a PM (Polícia Militar) chegou. Quando a equipe chegou ao imóvel, o padrasto disse que estava com o bebê no colo fazendo a massagem cardíaca. Ele entregou a criança aos policiais, que continuaram as manobras. Em seguida, o Samu chegou e reanimou Kalebe. Queda no banheiro
Interrogado sobre os hematomas e possível abuso sexual constatados pelos médicos, o rapaz afirmou ter percebido uma mancha nas costas e na testa do enteado, causadas durante uma queda. À polícia, o padrasto afirmou que o bebê escorregou no banheiro durante o banho, no fim da manhã de segunda-feira (27), ocasião em que ele ligou para sua companheira, avisando. Acrescentou também que o enteado teria escorregado no momento em que ele se ausentou para pegar a toalha no varal. “Eu saí para pegar a toalha dele lá no varal e, quando cheguei, [ele] já tinha caído; e, nesse caso, ele machucou a testa”, alegou o rapaz durante o interrogatório na delegacia especializada. Ao ser questionado sobre as lesões com suspeita de abuso sexual no bebê, o suspeito respondeu: “Não sei nem o que falar”. Sobre hematomas na virilha e nas pernas, o enteado alegou que Kalebe costumava ficar com manchas na perna quando ficava nervoso. No entanto, o rapaz afirmou ter visto somente na terça-feira (28) que o enteado estava com um hematoma nas costas. Questionado sobre o casal ter levado o bebê a uma unidade de saúde, o rapaz alegou que o enteado não conseguiu passar por médico porque a unidade estava muito cheia. Ainda durante o interrogatório, o padrasto negou ter agredido Kalebe, mas afirmou ter visto a companheira agredindo o filho em outras ocasiões, alegando “agressão de ‘educação’”. O bebê já teria levado tapas da mãe. Durante as diligências da polícia na residência do casal, foi encontrada substância análoga à maconha na varanda dos fundos. O rapaz afirmou que o casal usou drogas entre 19h e 20h do dia anterior. Ele negou que outras pessoas tenham frequentado a residência entre segunda-feira (27) e terça (28).
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