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Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia, diz Lula sobre Moraes
Presidente diz que direita vai usar caso Master e envolvimento do STF na campanha eleitoral
08/04/2026 13h34
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quarta-feira (8) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não pode "jogar fora a biografia" que construiu no julgamento do 8 de janeiro por causa do caso do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Segundo o petista, a suspeita de fraudes financeiras bilionárias será usada pela oposição nas eleições presidenciais.

"Você [Moraes] construiu uma biografia histórica desse país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do [dono do Master, Daniel] Vorcaro jogue fora a tua biografia. Todo mundo tem que ter clareza que a extrema direita vai utilizar o caso do Banco Master, envolvimento com a Suprema Corte, na campanha. Vão fazer pedindo voto", comentou Lula em entrevista ao ICL Notícias.

O chefe do Executivo afirmou que o envolvimento de ministros do Supremo com o caso Master "prejudica a imagem" da instância máxima do Poder Judiciário. A menção a Moraes se dá pelas supostas viagens do magistrado em aviões de empresas de Vorcaro e pelo contrato entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia da sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Para Lula, é importante identificar os envolvidos no esquema de fraudes do Master, mas é preciso ter cuidado com a eventual colaboração premiada de Vorcaro pelo risco de uma delação "combinada".

Lula defendeu uma "punição exemplar" para a classe política ligada ao esquema chefiado pelo ex-banqueiro, preso em Brasília. "Se tiver governador, prefeito, deputado, senador, ou presidente da República envolvido, tem que pagar o preço", afirmou.

Ainda sobre a proteção à imagem do STF, o presidente disse que é preciso criar novas exigências para o cargo de ministro do Supremo. Segundo o petista, essa é a posição mais importante do país e não pode ser usada para enriquecimento próprio.

"Se quer ficar milionário, não pode ser ministro da Suprema Corte. Tem que ser uma opção. Com salário de presidente, deputado, senador, ministro, se alguém ficou rico durante o mandato, é porque precisou de outras coisas", declarou.

Lula defendeu que eventuais mudanças na Corte não devem vir do código de ética proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin, mas sim a partir de alterações na Constituição Federal. Ele propôs a participação de especialistas para criar os critérios de ascensão ao cargo e citou a possibilidade de estabelecer mandatos para as cadeiras do STF.

"As pessoas têm que fazer uma opção. Quando vai à Suprema Corte, tem que ter um compromisso quase religioso. Ele não está lá pra ganhar dinheiro, mas para defender a Constituição e a democracia. [...] Vai ter mandato? De quanto tempo? Eu indico as pessoas, elas passam por um crivo no Senado, mas depois elas são donas do mandato", afirmou.