Mato Grosso do Sul enfrenta um início de ano preocupante no que diz respeito à violência doméstica. Conforme dados coletados em diferentes municípios, o estado registrou 433 casos de violência doméstica nos primeiros sete dias de 2026, um número que acende o sinal de alerta sobre a persistência desse tipo de crime e a necessidade de ações ampliadas de prevenção e proteção.
Os dados do Painel de Monitoramento da Sejusp-MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) revelam os municípios que mais registram casos de violência doméstica no início do ano:
Diante desses números, as autoridades atenderam a 369 solicitações de medidas protetivas, das quais 139 foram concedidas neste início de ano. Campo Grande é a cidade de MS que mais registra pedidos de medida protetiva, com 111, conforme a Sejusp.
Os números de 2026 ganham ainda mais peso quando comparados ao ano passado. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 39 casos de feminicídio, superando o total de 35 vítimas registrado no ano anterior e configurando um aumento preocupante nas mortes de mulheres por violência de gênero no estado.
O ano de 2025 foi marcado por um dos piores cenários de violência de gênero em Mato Grosso do Sul. Com 39 mulheres assassinadas, em sua maioria por companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas, o estado registrou um aumento de cerca de 11% no número de feminicídios em relação a 2024.
Segundo a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), as vítimas mais frequentes são mulheres pardas, de 30 a 59 anos, mortas dentro de casa e pelos próprios maridos ou companheiros.
Os dados mostram que nenhuma mulher está segura, sejam meninas, jovens, adultas ou idosas, em casa, na rua, no trabalho, na escola ou até em hospitais. Os autores vão de companheiros e namorados a filhos, irmãos e até avôs.

O primeiro feminicídio de 2025 em Mato Grosso do Sul foi o de Karina Corim, de 29 anos, baleada na cabeça no dia 1º de fevereiro pelo ex-marido, Renan Dantas, em Caarapó. O crime aconteceu dentro da loja de capinhas de celular da vítima. Após atirar em Karina e na amiga Aline Rodrigues, de 32 anos, Renan ateou fogo no local e cometeu suicídio em seguida.
A jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi morta a facadas no dia 12 de fevereiro, em Campo Grande, pelo músico Caio César Nascimento Pereira. A comunicadora havia registrado boletim de ocorrência por ameaça e obtido medida protetiva contra o agressor. O autor está preso preventivamente e foi indiciado por perseguição, violência psicológica, cárcere privado e divulgação de cena de nudez.
Juliana Domingues foi assassinada com golpes de foice no dia 19 de fevereiro, na Aldeia Nhu Porã, em Dourados. O autor é o companheiro, Wilson Garcia, que foi preso horas depois.
Miriele Santos, de 26 anos, foi morta no dia 22 de fevereiro em Água Clara pelo ex-namorado Fausto Júnior Aparecido de Oliveira, durante uma festa. O homem fugiu, mas foi preso no dia 25 de fevereiro.
Emiliana Mendes foi morta pelo namorado, Vanderson dos Santos Carneiro, após uma discussão, em Campo Grande. O corpo foi arrastado até o imóvel onde ela morava. O acusado foi preso logo depois e confessou o crime.
Gisele Oliskowski, de 40 anos, foi morta pelo marido Jeferson Nunes Ramos em Campo Grande, no dia 1º de março. Ela foi golpeada com uma pedra, jogada em um poço e carbonizada. O autor foi condenado a 38 anos e 3 meses de prisão.
Alessandra da Silva Arruda foi morta a facadas em Nioaque, no dia 29 de março, pelo companheiro Venilson Albuquerque Marques, que se entregou à polícia horas depois.
Ivone Barbosa da Costa Nantes foi morta a facadas em Sidrolândia, no dia 17 de abril. O autor, Wilton de Jesus Costa, morreu dois dias depois em confronto com o Batalhão de Choque da PM.
Thácia Paula Ramos de Souza, de 39 anos, teve o corpo encontrado no Rio Aporé, em Cassilândia, no dia 14 de maio. A polícia apurou que o crime ocorreu três dias antes.
Simone da Silva, de 35 anos, foi morta a tiros na frente dos filhos em Ivinhema, no dia 14 de maio, pelo ex-marido William Megaioli da Silva, que se entregou logo depois.
Olizandra Vera Cano, de 26 anos, foi morta a facadas pelo marido, em Coronel Sapucaia, no dia 23 de maio. O autor foi preso em flagrante.
Graciane de Sousa Silva morreu em Nova Andradina, no dia 25 de maio, após sofrer agressões por quatro dias seguidos em Angélica.
Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha Sophie Eugênia Borges, de 10 meses, foram mortas e queimadas pelo marido e pai da bebê, João Augusto Borges, de 21 anos, em Campo Grande, no dia 26 de maio.
Eliane Guanes, de 59 anos, foi queimada viva pelo capataz Lourenço Xavier, em Corumbá, no dia 6 de junho. O autor jogou gasolina e ateou fogo na vítima.
Doralice da Silva, de 42 anos, foi morta a facadas em Maracaju, no dia 20 de junho, pelo companheiro Edemar Santos Souza, de 31 anos.
Rose Antônia de Paula foi encontrada morta e quase decapitada em Costa Rica, no dia 28 de junho. O suspeito foi preso.
Michely Rios Midon Orue, de 48 anos, foi morta a facadas pelo próprio filho, de 21 anos, em Glória de Dourados, no dia 4 de julho. Ele foi preso.
Juliete Vieira, de 35 anos, foi morta a facadas pelo irmão Edivaldo Vieira, de 41 anos, em Naviraí, no dia 25 de julho.
Cinira de Brito foi morta com golpes de faca pelo companheiro Anderson Aparecido de Olanda, que depois se matou, em Aquidauana.
Salvadora Pereira, de 22 anos, foi morta com um tiro no rosto pelo companheiro José Cliverson Soares, de 32 anos, na frente de cinco crianças.
Dahiana Ferreira Bobadilla, de 24 anos, foi morta e enterrada em uma cova rasa às margens do Rio Apa, em Bela Vista, por Dilson Ramón Fretes Galeano, de 41 anos.
Érica Regina Mota, de 46 anos, foi morta a facadas pelo marido Vagner Aurélio, de 59 anos, em Bataguassu. O homem foi preso em flagrante.
Dayane Garcia, de 27 anos, morreu na Santa Casa de Campo Grande após 77 dias internada, vítima de tiros disparados pelo ex-marido Eberson da Silva, em Nova Alvorada.
Iracema Rosa da Silva, de 75 anos, foi morta em Dois Irmãos do Buriti ao tentar defender a filha do genro agressor.
Ana Taniely Gonzaga de Lima, de 25 anos, foi morta em Bela Vista pelo ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento.
Gisele da Silva Saochine, de 40 anos, foi morta e incendiada pelo marido no quintal de casa. Em seguida, ele tirou a própria vida dentro do carro.
Erivete Barbosa Lima de Souza, de 48 anos, foi morta a facadas pelo marido Adenilton José da Silva Santos, de 30 anos, em Paranaíba. Ele foi preso e confessou o crime.
Andreia Ferreira, de 40 anos, foi morta a tiros pelo marido Carlos Alberto da Silva, em Bandeirantes, após discussão. O autor foi preso uma semana depois.
Solene Aparecida Ferreira Corrêa, de 46 anos, foi encontrada morta com sinais de enforcamento em Três Lagoas. A companheira Laura Rosa Gonçalves foi presa em flagrante.
Luana Cristina Alves foi morta a facadas em Campo Grande por Gilson Castelan de Souza, que foi preso logo depois. Ele foi encontrado morto no presídio em 4 de novembro.
Aline Silva, de 26 anos, foi morta a facadas em frente de casa, em Jardim, no dia 4 de novembro. O suspeito é o ex-companheiro.
Maria Aparecida Nascimento Gonçalves, de 43 anos, foi morta com uma facada no pescoço em Aparecida do Taboado. O filho dela, de 18 anos, e um amigo, de 20, foram presos em flagrante.
Rosimeire Vieira de Oliveira, de 37 anos, e sua mãe, Irailde Vieira Flores de Oliveira, de 83 anos, foram mortas a facadas, e depois tiveram os corpos carbonizados no dia 9 de novembro, em Rochedo. O suspeito do crime, preso, é o ex-namorado de Rosimeire.
Gabrielli Oliveira dos Santos foi morta no último dia 18 de novembro pelo companheiro em Sonora. Após o crime, o suspeito foi até a delegacia e confessou o crime.
Ex-guarda municipal de Dourados, foi morta com 23 facadas. O suspeito é o companheiro, Christian Alexander Cabezas Henriquez, 44 anos, que foi preso um dia depois do crime, no dia 24 de novembro. O crime foi denunciado pelo filho, de 9 anos, que conseguiu fugir da casa e pedir socorro para vizinhos.
Leonir Gugel desferiu golpes de canivete contra Ângela Naiara Guimarães Gugel e em seguida atentou contra a própria vida, porém sem sucesso. O crime ocorreu na manhã do dia 8 de dezembro, em Campo Grande.
Aline Barreto da Silva foi morta a facadas por ciúmes; o autor foi o companheiro dela, Marcelo Augusto Vinciguerra, de 31 anos, homem com quem conviveu mais de 12 anos e teve três filhos. O último feminicídio de 2025 ocorreu na madrugada do dia 14 de dezembro, em Ribas do Rio Pardo.
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