Entregador brasileiro que parou ataque na Irlanda volta ao Brasil para fim de ano com a família: 'finalmente juntos'
Caio Benício chegou ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (14) e foi recebido pelos dois filhos e esposa. Caçula de 12 anos correu para abraçar o pai.
15/12/2023 14h19Atualizada há 3 anos
Por: Fonte: G1
Caio Benício e família — Foto: Target Filmes
O homem que parou um ataque em uma escola em Dublin, na Irlanda, retornou ao Brasil para passar as festas de fim de ano junto com a família. O entregador Caio Benício desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim na noite desta quinta-feira (14).
Ele foi recebido pelos dois filhos e a esposa, que aguardaram ansiosos pela chegada.
"Depois de um turbilhão de acontecimentos, vim me fortalecer com eles. Minha família. Amo vocês", escreveu Caio nas redes sociais.
O caçula de 12 anos correu para ser o primeiro a abraçar o pai. "Finalmente juntos", comemoraram.
"Estávamos com muitas saudades, ansiosos por esse reencontro", afirma a esposa Clara Biscaia. Antes, a família não sabia se conseguiriam se reunir para passar a virada juntos, e a última vez que tinham se visto foi no meio do ano.
Depois dos festejos de fim de ano, Caio deve retornar para a Irlanda, onde recebeu muito apoio depois de salvar possíveis vítimas de um ataque em uma escola.
"Difícil ficar longe", diz esposa
De Niterói, no Grande Rio, mulher do entregador brasileiro Caio Benício falou sobre a coragem que o marido teve para reagir ao ataque em uma escola de Dublin, na Irlanda. A ação dele salvou outras possíveis vítimas, e a família passou por "um grande susto" com a situação.
Na época, a estilista Clara Biscaia Benício disse ao g1 que não sabe quando o marido retornaria ao Brasil, e que estava difícil lidar com a saudade. Foi para ela que o entregador ligou depois de derrubar o homem que atacou a unidade de ensino.
"Foi tudo muito rápido, ele me ligou muito abalado quando tudo aconteceu, e desde então virou herói na Irlanda. Ele foi muito corajoso, está difícil ficar longe", conta ela.
Vaquinha arrecada mais de R$ 2 milhão
Em novembro, uma vaquinha foi aberta para Caio sem ele saber — o capacete com que deu golpes no agressor foi confiscado pela polícia, e amigos se mobilizaram para repor o acessório.
A meta até sexta feira (24) era juntar cerca de R$ 1 milhão (200 mil euros), mas o valor já ficou para trás: passa de R$ 2 milhões. A família ainda não sabe que destino será dado a esse valor.
Pai de dois filhos, uma jovem de 18 anos e um menino de 12 anos, Clara o descreve como "um super pai, sempre muito dedicado aos filhos e presente na vida deles".
“Eu não me considero herói. Acho que a atitude que eu tive foi de instinto. Quem tem filho, criança, faria o mesmo. Você vê um cara grandão, com uma faca, com uma menininha de 5 anos... Qualquer um faria o que eu fiz. Eu estava no lugar certo, na hora certa”, disse Caio.
A família que sempre foi unida precisou se separar quando Caio foi para Irlanda tentar melhores condições de vida depois que o restaurante que eles tinham, o Barkana, pegou fogo há 4 anos em Icaraí, no Rio de Janeiro.
Além da tentativa de uma renda melhor na Irlanda, Clara administra no Rio de Janeiro uma loja on-line de moda fitness e roupas de praia, a Biarritz.
Desde que Caio foi para fora do país, em dezembro de 2022, a família só se reviu uma vez, e agora anseia pelo reencontro.
"Foi muito difícil quando ele precisou ir morar fora. Estamos juntos há 20 anos, somos muito parceiros mesmo com a distância, a saudade está muito grande", desabafa Clara.
O incidente deixou 5 feridos, 3 deles crianças. Caio conversou com o g1 após receber uma homenagem na embaixada brasileira.
“Não posso pensar só em mim agora. Nesse momento muito polarizado, na Europa e aqui, a minha imagem está servindo de esperança para essa população que sofre tanto, é isso está ajudando no dia a dia deles”, afirmou ele.
As autoridades disseram que 34 pessoas foram presas durante uma série de manifestações anti-imigração. O homem que atacou a escola e foi derrubado por Caio seria estrangeiro.
“Ele [Varadkar] fez questão de me cumprimentar pessoalmente, me agradecer em nome de todo o povo da Irlanda. Disse também que ficou muito envergonhado com os atos que houve depois”, afirmou ele.
Golpes de capacete
Na quinta-feira (23), Caio impediu que a tragédia fosse ainda maior, quando derrubou o agressor com golpes de capacete.
“Eu trabalho de delivery aqui, eu estava passando em frente a uma escola quando eu vi uma briga na calçada. Eu achei, a princípio, que fosse uma briga normal com um homem e uma mulher. Depois eu fiquei sabendo que ela era professora da escola. Eles estavam brigando e puxando uma garotinha”, contou Caio.
Caio viu que aquela cena na Parnell Square, praça movimentada de uma área residencial no centro da capital irlandesa, não era uma briga comum.
“Aí eu diminuí para ver o que estava acontecendo quando o cara conseguiu agarrar a garotinha e puxou uma faca. Eu parei a moto e o vi esfaqueando a menininha no peito. Eu não tive tempo de pensar. Fui para cima, tirei o capacete, até para me proteger, e acertei com o capacete na cabeça e ele caiu”, disse o motoboy.
Policial isola área onde crianças foram esfaqueadas no centro de Dublin, na Irlanda, em 23 de novembro de 2023. — Foto: Clodagh Kilcoyne/ Reuters