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#Retrô21: Das anomalias climáticas aos alagamentos, MS viveu dias de ‘luta’ contra o clima em 2021

Tempestades de areia, sensação térmica de -11 ºC, rio que transbordou e cobriu casas, seca no Rio Paraguai e calor de mais de 40 ºC foram alguns dos eventos que marcaram o ano em MS

20/12/2021 às 15h54
Por: Fabio Alves Fonte: Midiamax
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Tempestade de areia em Campo Grande - Fala povo / Midiamax
Tempestade de areia em Campo Grande - Fala povo / Midiamax

De fenômenos inéditos ao caos gerado pelas chuvas, os moradores de Mato Grosso do Sul testemunharam diversos eventos climáticos ao longo do ano. Alagamentos, tempestades de areia, vendavais e calor de mais de 40ºC, os doze meses de 2021 foram repletos de surpresas - e prejuízos  - causados pelas reviravoltas climáticas.

Marcado por extremos, os fenômenos que marcaram 2021 começaram a tomar forma já em Janeiro, quando moradores de Nioaque viveram momentos de caos e desespero: com as fortes chuvas, o rio que leva o nome da cidade transbordou, invadiu casas, destruiu cabeceiras de ponte, cobriu carros e até levou uma vaca.

De acordo com a prefeitura, na época, 44 famílias ficaram ilhadas ou desalojadas devido a chuvas que, do dia 13 ao dia 19 de janeiro, acumularam 523 milímetros de chuva - cerca de 4 vezes mais que o esperado para todo o mês par aa região. Com a situação, a gestão decretou Estado de emergência.

No mesmo mês, em Campo Grande, a meteorologia registrou 271 milímetros de chuva, do dia 1º até às 22h do dia 19 de janeiro, sendo que o esperado para todo o mês é de 225 mm. Até aquela data, a cidade registara o mês de janeiro mais chuvoso desde 2016. Fato que, na tarde da quarta-feira (27) de janeiro, três carros foram arrastados na rotatória da avenida Ernesto Geisel com a Rachid Neder. Felizmente, o Corpo de Bombeiros realizou intervenção de resgate e não houve nenhum ferido.

No mês seguinte, na mesma estação. A expectativa era de que o calor fosse acima do normal, conforme relatou a meteorologista responsável pelo Cemtec, Franciane Rodrigues. A exceção era para as regiões sul, sudoeste e parte do bolsão. A previsão se concretizava com tempo firme e predomínio de sol em todo o Estado, com máxima de até 39ºC. Na Capital, os termômetros marcariam até 34ºC e não havia previsão de chuva até o fim do mês de fevereiro, segundo o Cemtec-MS.

Força da natureza

No mês de março, porém, a força da natureza voltou a assolar Campo Grande. Um prédio com três apartamentos residenciais e um petshop foi totalmente destelhado por um vendaval acompanhado de chuva no dia 13 daquele mês, no Jardim Seminário. Toda a cobertura do local, que fica entre a Avenida Tamandaré e rua Dom Lustosa, foi destruída pela intensa chuva. A fiação ficou toda comprometida. Apenas um morador dos três apartamentos estava no momento do susto.

Prédio destelhado pelo vendaval (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

 

Sensação térmica de -11ºC

No mês de junho, praticamente no fim do outubo, a temperatura começava a cair no Estado. O inverno começou no domingo (20) daquele mês e seguiu até 22 de setembro: a estação prometia ser uma verdadeira ‘montanha-russa’ com dias de frio intenso, outros de calor e tempo seco.

Em junho, existia 60% de chance de as chuvas ficarem abaixo da média em MS. No caso do frio, na madrugada do dia 30, 13 cidades registraram geada, incluindo Campo Grande. A 'recordista' do frio foi à cidade de Bela Vista, com temperatura de -2,3ºC por volta das 5 horas da manhã e sensação térmica de -11ºC. Em seguida, Rio Brilhante também registrou baixíssimas temperaturas: -2,1ºC, com sensação de -10ºC.

Rio Brilhante foi uma das cidades que registrou geada (Divulgação / Maracaí FM)

 

Já a geada que atingiu o cone sul de Mato Grosso do Sul, entre os dias 27 de junho e 1º de julho, causou perdas de produtividade na 2ª safra de milho estimadas em 2,7 milhões de toneladas, conforme expectativa da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja e Milho). A condição climática afetou região que corresponde a 30% da área produtiva do Estado.

O clima frio continuou forte no dia 26 de julho. No caso, o mês recebia a terceira onda do ano. A forte frente fria associada a uma massa de ar frio de origem polar avançou pelo país e especialistas indicavam que a massa de ar frio poderia até ser considerada uma das maiores do século no Brasil.

Mesmo no inverno, o mês de agosto trouxe uma mudança drástica na temperatura. No dia 18, Mato Grosso do Sul registrou, na média, o dia mais quente do mês e também um dos mais secos. Corumbá, por exemplo, que já estava sofrendo com o calor, registrou máxima de 40°C com sensação térmica de 44°C e umidade relativa do ar de 11%, conforme dados do meteorologista Natálio Abrão, da estação meteorológica da Uniderp.

A estação conhecida por ser fria se despedia na terça-feira (21) de setembro, com um dia de calor intenso em Mato Grosso do Sul. A previsão era de tempo firme e sem possibilidade de chuva no Estado.  Em Campo Grande, a máxima foi de 39ºC. Em Corumbá e Coxim, a máxima podia chegar a 43ºC. Em Dourados, a expectativa era de 41ºC.

Caos nos quatro cantos de MS

O mês de outubro foi marcado por uma série de eventos climáticos que resultaram em danos financeiros, mortes e fenômenos incomuns. No primeiro dia do mês, uma tempestade de areia foi registrada em Três Lagoas, distante 323 quilômetros de Campo Grande. O 'areião' cobriu os céus e também trouxe com ele uma ventania.

Nas imagens, gravadas por moradores da cidade, pode-se notar que não é possível ver mais a cidade no horizonte, pois está coberta pela poeira. Na área atingida pela tempestade não era possível enxergar muito longe. Além de areia, o vento também levava folhas, pequenos galhos e outros materiais.

Em outro extremo do Mato Grosso do Sul, o Rio Paraguai atingiu no dia 11 de outubro, o terceiro menor nível da história na medição feita a partir da régua de Ladário, no pantanal sul-mato-grossense, a 426 km de Campo Grande.

Seca no Rio Paraguai (Foto: Norberto Duarte / AFP/METSUL METEOROLOGIA)

Conforme o Comando do 6° Distrito Naval da Marinha do Brasil, a régua chegou a -56 cm, o menor nível em 50 anos. A última vez que o nível do rio ficou em marcação tão baixa foi em setembro de 1971, quando marcou -57 cm. No ano passado, o nível do rio chegou a -32 cm.

No dia 15 de outubro, foi a vez dos campo-grandenses serem surpreendidos pela tempestade de areia, semelhante aos relatos em diferentes regiões  do Brasil e Três Lagoas. Vídeo feito do alto de um edifício na Rua Alagoas, região do Jardim dos Estados, registrou o momento em que a tempestade atingiu a região central de Campo Grande.

A tempestade de poeira atingiu a Capital depois das 14h com ventos que chegaram a 94,45 km/h, conforme medições divulgadas pelo meteorologista Natálio Abrão — havendo rajadas de 54 km/h e de 65,16 km/h, estas na região das Moreninhas.

Por volta das 15h, a nuvem de poeira reduziu para 800 metros a visibilidade em Campo Grande, forçando o Aeroporto Internacional de Campo Grande a ser fechado. Houve relatos de destelhamento e quedas de galhos e granizo — como na região do Lago do Amor. A chuva, por sua vez, caiu por poucos minutos.

Chegada da tempestade areia em Campo Grande (Foto: Ranziel Oliveira / Jornal Midiamax)

Com resultado da forte tempestade que atingiu Campo Grande na quinta-feira (14) de outubro, e que causou estragos pela cidade e deixou muitos moradores sem energia elétrica. Na manhã da sexta-feira (15), casas em 67 bairros ainda enfrentavam a falta de energia elétrica, que durou mais de 24 horas.

Chuva e destruição

Ainda na Capital, em 15 de outubro, uma árvore de grande porte situada na Avenida Mato Grosso, próximo ao cruzamento com a Via Parque que caiu sobre um Toyota Corolla que estava estacionado na via foi amostra do que estava por vir. Porém, naquela mesma data, durante o vendável e tempestade que assolou MS, uma embarcação naufragou no Rio Paraguai, em Corumbá, a 444 quilômetros de Campo Grande, matando sete pessoas.

Em novembro, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu um alerta de temporal para 58 cidades do Mato Grosso do Sul, pois existia o risco de alagamentos e cortes de energia elétrica.

Embarcação naufragou durante a tempestade (Foto: Divulgação)

 

O alerta foi emitido na madrugada do sábado (23) e seguiu até a meia-noite. Nesse meio tempo, a cidade de Bodoquena sofreu com uma chuva intensa com direito à queda de granizo. Segundo relatos de moradores, a chuva durou aproximadamente 50 minutos. Foram registrados alagamentos em alguns pontos da cidade, assim como destelhamento de casas.

“Foi bem feio, a rua da minha casa ficou toda alagada”, conta a professora Ivone Aparecida Rocco, de 59 anos. “No céu, tinha um barulho de vento muito forte”, impressionou-se a senhora. No dia 13 de dezembro, a rua 32 virou um verdadeiro rio no bairro Nova CampoGrande. A situação no local não é novidade para os moradores, que sempre sofrem com o problema e muitos ficam impedidos de sair de casa.

"Somente de carro se consegue transitar em dias de chuva forte. Não é rua, é rio", disse um campo-grandense que tem familiares no local e já passou pela situação em outras oportunidades. "Aqui rapidamente acontece essas enchentes", contou ele ao Jornal Midiamax, se referindo às enxurradas que correm nos dias de chuva.

Em um ano turbulento, nas áreas da saúde, da política e da economia, as questões ambientais - que influenciam diretamente no clima - também deram seu recado. A expectativa para o verão que se inicia nesta terça-feira (21), no entanto, não parecem ser das mais animadoras: dias quentes, chuvas escassaz devem marcar a estação no ano que também promete abalar as demais estruturas. É aguardar para ver.

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